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3 de fevereiro de 2007

Paráfrase



As formigas e a pena

Uma formiga, que caminhava perdida sobre uma folha de papel, viu uma pena que desenhava traços negros e finos.

-Que maravilha! - exclamou.- Que coisa notável! Tem vida própria e faz garatujas nesta bela superfície a ponto de poder equiparar-se aos esforços conjuntos de todas as formigas do mundo. E que rabiscos faz! Parecem formigas, milhões de formigas trabalhando juntas!

Contou seu pensamento a outra formiga, que ficou igualmente interessada e elogiou os poderes de observação e de reflexão da primeira.

Mas outra formiga disse:

-Valendo-me de seus esforços, devo admiti-lo, tenho observado esse estranho objeto. Mas cheguei à conclusão de que não é ele que impulsiona seu trabalho. Você cometeu o erro de não observar que a pena está ligada a outros objetos que a rodeiam e a conduzem.Esses devem ser considerados como a origem do movimento,acredite. Desse modo as formigas descobriram os dedos.

Passado algum tempo, outra formiga caminhou sobre os dedos e percebeu que faziam parte da mão, que explorou total e minuciosamente, ao estilo das formigas, esquadrinhando-a toda.

Voltou então para junto de suas companheiras e gritou-lhes:

-Formigas! Tenho importantes notícias para vocês. Aqueles pequenos objetos fazem parte de outro muito maior. E este é que realmente move tudo.

Depois descobriram que a mão estava ligada a um braço e o braço a um corpo; que não existia uma, e sim duas mãos; e que existiam dois pés, que não escreviam.

As investigações prosseguiram. Assim, as formigas chegaram a ter uma idéia adequada da mecânica da escrita.

Através de seu método de investigação costumeira, entretanto, nada conseguiram saber a respeito do sentido e da intenção da escrita, nem sobre como, finalmente, eles eram determinados: as formigas não sabiam ler nem escrever.

Conto popular


COMENTÁRIO O texto expôs um fato da parte para o todo. Houve uma ampliação. A descoberta das formiga ocorreu aos poucos. Uma formiga ficou encanta com os poderes da mão. Esta descoberta não ficou guardada. Como sempre aconteceu, uma formiga comunicou-se com outra. Esta, apenas a elogiou pela descoberta. Outra formiguinha foi mais longe, e descobriu os dedos. Uma outra, resolveu explorar o local, caminhou sobre a mão e descobriu que não era apenas uma mão. As formigas acabaram descobrindo o corpo e o seu mecanismo, mas não descobriram a escrita. Este acontecimento pode ser comparado às descobertas da humanidade. O homem aprendeu a andar, a falar, a escrever, desenvolver tecnologias. Quanta coisa deve ainda estar oculta aos nossos olhos! Há poucas décadas não havia remédios, técnicas cirúrgicas, motores possantes, internet... Quanto não deve estar por vir? O que as pessoas do futuro ainda descobrirão? Assim como uma só formiguinha conseguiu revolucionar um formigueiro, muitas pessoas também fizeram o mesmo. Veja por exemplo o quanto nos é útil a energia elétrica, o telefone, o petróleo... Que a leitura desta fábula desperte em nós a curiosidade e o desejo de investigar, e que nossas descobertas sejam repassadas. O conhecimento não deve ser restrito. Alguém, um dia, a partir de nós, poderá mudar ainda mais o futuro da humanidade.

Sugestão de atividade:


Leitura e comentário do texto

Produção de texto: a formiga e o relógio

Um comentário:

A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)