Há tempos deixei de abastecer este Blog, mesmo assim ele continua ativo, servindo de inspiração para muitos professores. Se você chegou até aqui, saiba que os conteúdos aqui postados são aulas que preparei para mim. Eu não quis guardar minhas experiências, pois sei que a maioria dos professores não têm muito tempo. Aproveite. Blog criado em 18/09/2006

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29 de outubro de 2007

Encontro Marcado


Uma antiga lenda árabe conta a seguinte história de um pajem do sultão de Bagdade.

Um dia, um jovem pajem apresentou-se ao seu senhor e, muito nervoso, pediu-lhe um dos seus melhores cavalos, dos mais velozes.

_ Vi a morte no jardim _ disse _ e ela fez-me um gesto estranho. Quero fugir imediatamente para Bassorá para me esconder no mercado. A morte nunca irá dar comigo naquele lugar...

O sultão deu-lhe o seu melhor cavalo e o jovem afastou-se rapidamente, a galope. O sultão mais tarde desceu ao jardim e vendo a Morte que ainda estava por ali, perguntou-lhe porque tinha ameaçado aquele jovem.

_ Não o ameacei _ respondeu a Morte. Simplesmente, muito admirada, levantei o braço e perguntei-me: “Como é possível que ele ainda ande por aqui, se dentro de quatro horas tenho um encontro marcado com ele no mercado de Bassorá?

Paulo Coelho

COMENTÁRIO:

Todos nós temos um encontro marcado com a morte, só que não sabemos quando isso vai acontecer. É um encontro que nos dá medo, porque nunca vivemos a experiência. Fugimos dele constantemente, até em pensamento. Quando involuntariamente da morte nos recordamos ou quando, num diálogo, tocamos no assunto sentimos um arrepio, batemos três vezes numa madeira, dizemos alguma frase para afugentá-la. Esta parábola exemplifica muito bem nosso comportamento. Podemos adiar esse encontro cuidando de nossa saúde, evitando viver perigosamente, fugindo de ambientes perigosos, colocando alarmes, tomando remédios, fazendo exercícios físicos, enfim, procuramos preservar e prolongar, de todas as formas nossa vida, pois é o maior bem que possuímos. Um dia a morte chegará, ou de surpresa, ou através de alguma doença, ou de velhice. “Onde será nosso mercado de Bassorá?”

"Terezinha Bordignon"

Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada”

Nascimento

Quando olhamos para uma pessoa idosa, dificilmente imaginamos que ali existiu um bebê, um adolescente, um jovem.

A gestação é apenas uma primeira etapa do nascimento. Fora do útero, nosso corpo continua o processo de nascer. Depois que saímos do ventre de nossa mãe, continuamos nascendo. Nosso corpo vai sendo transformado todos os dias, quer queiramos ou não.

Somos semelhantes a uma planta, que germina dentro da terra de onde retira os nutrientes, depois nasce muito frágil, parece que não vai suportar a chuva, o sol, o vento, mas vai crescendo e atinge a maturidade. Uma frágil planta transforma-se numa árvore forte, bonita, frondosa e inicia outra vez o processo de reprodução, formando novas sementes. O tempo passa, seu tronco continua engrossando, crescendo. Quanto mais velha, maior.

Quando bebês, nossa pele é tenra, delicada, clara, sem mancha. Tornamos-nos crianças, jovens, adultos. Vamos crescendo, cicatrizes vão deixando sua marcas: um corte, uma queimadura, um osso que se quebra, isso faz parte do nascimento físico. Podemos comparar essa mudança física revendo fotos tiradas em anos anteriores. Esse nascimento é progressivo. Nossas experiências vão nascendo e crescendo também. É por isso que quanto mais velha a pessoa, mais experiências acumuladas: esse é o nascimento intelectual.

A mudança intelectual e natural e aceita. É procurada. A mudança do corpo nos incomoda. Gostaríamos de acumular experiências sem acumular mudança física. Gostaríamos de ter o nariz arrebitado, pele lisinha... Isso não acontece: O nariz e as orelhas, partes cartilaginosas de nosso corpo, continuam crescendo, por isso os velhos têm nariz e orelhas grandes. Contrariando o que dizem por aí, orelhas grandes não é sinal de burrice, mas de sabedoria.

Nosso nascimento para a velhice muito nos preocupa. Deveríamos ficar felizes com o nascimento dos cabelos brancos, das orelhas e nariz maiores, da barriga acentuada, do andar lento... Esse nascimento, um dia terminará. Enquanto isso desfrutemos sabiamente cada segundo de nossa vida...

Terezinha Bordignon