Há tempos deixei de abastecer este Blog, mesmo assim ele continua ativo, servindo de inspiração para muitos professores. Se você chegou até aqui, saiba que os conteúdos aqui postados são aulas que preparei para mim. Eu não quis guardar minhas experiências, pois sei que a maioria dos professores não têm muito tempo. Aproveite. Blog criado em 18/09/2006

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4 de janeiro de 2009

François Bitencourt

Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.

Às vezes nos falta esperança. Às vezes o amor nos machuca profundamente, e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.

Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar...é nossa razão de existir.

Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino. Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.

Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um pôr do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto.

É a força da natureza nos chamando para a vida.

Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade.

Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo.

Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo, e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram...

Descobre também que outras disseram eu te amo uma única vez.

E agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajudá-las a reconstruir um coração quebrado.

Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatores importantes: a relação com a família, as condições econômicas nas quais se desenvolveu.(dificuldades extremas ou facilidades excessivas formam um caráter), os relacionamentos anteriores e as razões do rompimento, seus sonhos, ideais e objetivos.

Não deixe de acreditar no amor. Mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá.

Manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam. E certifique-se de que quando estão juntos, aquele abraço vale mais que qualquer palavra.

Esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoa te deixar, então nada irá lhe restar.

Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento, manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco.

Pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda mais intenso, do que teria sido no passado.

Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário.

Existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.

A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna.

A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem...

Autor: François Bitencourt

23 de dezembro de 2008

Meu Conto de Natal

Tenho o hábito de guardar meus desenhos. Ainda bem, assim posso contar um fato curioso sobre um desenho e mostrá-lo para você.
No final de 1993, decidi fazer um desenho que sugerisse o Natal. Eu o iniciei sem ter uma idéia clara do que eu queria. Deixe-me guiar pela inspiração. Aos poucos o desenho foi surgindo. Como era final do ano, a maioria dos alunos já estava aprovada para a série seguinte e apenas alguns se viam na difícil obrigação de comparecer assiduamente. Nessa época sempre sobra um tempinho para um rabisco enquanto eles fazem alguma atividade. Foi o que fiz: peguei meu desenho, que já estava praticamente concluído e com o maior cuidado fazia os últimos traços com caneta esferográfica.
O meu desenho tinha a intenção de mostrar o Natal na chama de uma vela que se ligava a um coração. Este coração era formado por dois pombinhos segurando uma flor no bico, ao mesmo tempo estes pombinhos lembravam José e Maria, de mãos postas, adorando o Menino Jesus, que desenhei perto das cabeças dos pombinhos. O menino Jesus eu o enxergava sobre uma cabeça humana, de cabelos longos e enfeitada nas laterais. Desse enfeite nascia a cauda de um cometa, onde aparecia o ano. 1993, o cometa subia até perto da chama da vela. Na parte inferior do desenho, raízes expostas, um tronco que subia até os pés do Menino Jesus. Na lateral, um braço apoiado sobre o tronco e as raízes. Sobre a mão uma árvore seca com raízes expostas também.

Era isso que eu via. Os poucos alunos que faziam a atividade da aula observavam silenciosamente, até que um se manifestou: - Professora, que bicho é esse? É um dragão? – Eu me justifiquei, mas o aluno insistiu na idéia, disse que via apenas um bicho muito feio, com chifres e uma enorme cauda, soltando fogo pela boca. Fiquei perplexa, como ele via algo tão feio onde eu via algo belo? Para encurtar a conversa, meu aluno tinha um ponto de vista totalmente diferente do meu. Eu girei o papel e pude ver que ele estava certo. Eu também vi o dragão. Veja-o você também!

Quinze anos depois, mexendo nos meus desenhos eu me lembrei do ocorrido e relacionei o fato daquele dia ao Natal. Vivemos uma época propícia para mudar nosso ponto de vista e nossas atitudes, época para abrir o coração e sair do egoísmo, da comodidade do nosso lugar. É tempo de solidariedade e de amor, de gestos benevolentes, de se colocar no lugar do próximo e ver suas necessidades. Um simples gesto pode fazer uma grande diferença na vida de alguém. Há pessoas esperando um pouquinho de nós, pode ser um abraço, um brinquedo usado, um quilo de alimento, uma palavra amiga. A caridade é a verdadeira face do amor. É imprescindível fazer algo em prol da humanidade. Se de onde estamos não conseguimos enxergar o que o outro precisa, é preciso ir até onde ele se encontra e fazer algo para amenizar as dificuldades das pessoas. Mas isso não se faz, se não acontecer um impacto, uma ruptura consigo mesmo.
O Natal requer uma mudança de postura para surgir uma renovação primeiro em nós. Essa renovação deve ser transmitida às demais pessoas. Que este Natal não seja apenas a passagem de mais uma data festiva entre tantas outras, mas a escolha de atitudes certas para conosco e para com o próximo.
Feliz Natal.