Há tempos deixei de abastecer este Blog, mesmo assim ele continua ativo, servindo de inspiração para muitos professores. Se você chegou até aqui, saiba que os conteúdos aqui postados são aulas que preparei para mim. Eu não quis guardar minhas experiências, pois sei que a maioria dos professores não têm muito tempo. Aproveite. Blog criado em 18/09/2006

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20 de dezembro de 2007

Natal - Assumo minha ignorância


Antes de tudo, vou dizer que em virtude de sua vasta extensão, conheço muito pouco do Brasil, apenas as Regiões Sul e Sudeste (maiores que muitos países). Portanto, com exceção de algumas viagens à fronteira paraguaia para comprar importados, não conheço nada fora do país. Moro numa região onde faz calor boa parte do ano e mesmo no inverno, não são raros os dias quentes. Nunca presenciei a neve caindo.
Pela televisão, vi que antes do previsto, estão acontecendo fortes tempestades de neve nos EUA. Isto me fez recordas uma conversa que tive um dia com um religioso português. Enquanto conversávamos, afirmei que havia lido num livro, um poema que narrava o nascimento de Jesus numa noite muita fria. No mesmo poema, os versos falavam da extrema pobreza e do local onde nasceu. Que as dificuldades vividas por Maria me chamaram a atenção. Expliquei que após a leitura fiquei imaginado uma criancinha recém nascida passando uma noite gelada de inverno ao relento com roupas inadequadas. Imaginei uma fogueira acesa e Maria aquecendo seus pés gelados enquanto segurava em seus braços Jesus recém-nascido...
Nossa conversa tomou um rumo inesperado. Acabei comentando que após ler o poema eu tinha imaginado que o Natal no inverno, como acontece na Europa, deveria ser muito triste, muito calado. Tudo está gelado ao extremo, pessoas recolhidas em suas casas, escondidas dentro de gorros e sobretudos, vento cortante. Eu disse que o Natal brasileiro deveria ser mais alegre, porque nesta época estamos em pleno verão: sol e calor, época de férias escolares, viagem à praia. Que nesta época as pessoas se vestem com roupas leves e coloridas. Que as ruas estão repletas de pessoas comprando frutas tropicais, presentes, parando nos bares para um sorvete gelado, passeando... Que nas cidades pequenas as pessoas ficam nas áreas e calçadas das casas, as portas ficam abertas e as noites são perfeitas para se visitar os presépios nas praças...
O religioso explicou-me que não. Quando é Natal, as pessoas em seu país não estão mais silenciosas, ficam protegidas do frio dentro de suas das casas, mas isto é o que torna, na opinião dele, o Natal melhor no inverno. Como as pessoas, geralmente ficam dentro das casas, sobra mais tempo para o diálogo entre pais e filhos, para as conversas agradáveis, risos, gargalhadas. Ao redor da lareira há também o calor da amizade. Comem-se pratos típicos, castanhas e nozes, bebem-se os saborosos vinhos da terra.
Após essa conversa, concluí que o Natal é uma festa alegre em qualquer parte do mundo. Cada pessoa o festeja de acordo com sua realidade, de acordo com suas tradições.
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16 de dezembro de 2007

Boneca de papelão


Hoje me dei conta de uma coisa: Não me recordo de algum dia ter acreditado em Papai Noel. Não sou tããããão antiga assim, mas no meu tempo de criança não havia televisão, apenas o rádio, que não tinha esse forte apelo comercial sobre as qualidades do “Bom Velhinho”.

Vivi minha infância num sítio. Tínhamos um Natal muito simples, nada de festas e reuniões, mas era muito esperado, porque era dia de beber “guaraná” à vontade, comer azeitonas e castanhas portuguesas. O sabor era uma delícia, diferente de hoje! O restante dos doces e comilanças eram feitos em casa, por minha mãe. Uma macarronada temperada com frango caipira e massa de tomate, um leitão assado no forno a lenha. E que doces cristalizados, pudins, bolos?! Nesse dia também ganhávamos bala. Era tempo de uva madura, mangas, melancias. Eu também gostava visitar os vizinhos neste dia. Todo mundo procurava oferecer alguma coisa diferente.

Não me lembro de minha mãe dizer que Papai Noel ia me trazer algum presente. O que me recordo é de ver minha mãe bordando na máquina de costura um tecido branco. Eu perguntei por que era aquilo e ela me deu uma explicação qualquer. O pior foi que eu acreditei.. Era a véspera do Natal. Um presépio foi montado num canto da sala. No dia seguinte, eis que vejo no presépio uns brinquedos de meninos para meus irmãos e uma boneca de papelão para mim. Seu vestido bordado tinha desenhos iguais aos que eu tinha visto minha mãe fazer.

Eu não tinha nenhuma boneca comprada. Apenas uma, muito velha, feita por minha mãe, com cabelos de pêlos de ovelha tingidos, tirados do arreio de uma mula. Minha mãe, apesar de não ter muito estudo, sempre foi uma artista, sabia improvisar muito bem. Fiquei feliz com meu presente, afinal, eu não esperava ganhar nada.

Hoje me recordo desse fato e sinto saudade. Como é importante comemorar o Natal em família. Sempre guardamos algo de bom, ano a ano. Claro que tenho algumas lembranças de fatos tristes que aconteceram neste dia, afinal apagar a memória não dá, mas o importante é relembrar coisas boas, como ganhar uma boneca de papelão. Apesar da simplicidade do presente, eu nunca o esqueci.


10 de dezembro de 2007

Telemarketing


É hora do almoço. O telefone toca insistentemente. Do outro lado da linha, uma voz com características de superioridade pergunta: “Por favor, a Senhora Terezinha está?” Eu já sei do que se trata. Desligar o telefone, dizer que viajou, que saiu, tirar o telefone do gancho... não resolve, porque o telefone certamente tocará inúmeras outras vezes. É uma daquelas famosas ligações comunicando que pelo meu ótimo relacionamento com o “Banco X”, fui selecionada para receber, gratuitamente, em minha casa, um cartão de crédito, blá, blá, blá - blá, blá, blá - blá, blá, blá...
Eu sempre digo que já possuo um, que não me interesso por outro, mas a moça não desiste. Passa um tempinho e nova ligação, com a mesma abordagem.
De tanto receber esse tipo de telefonema, eu passei a não dar importância. Deixo a pessoa falar, para ir esgotando seu repertório. Quando ela pensa que estou interessada, pergunta: “Tudo bem pra Senhora, Dona Terezinha?” E eu: “Não. Eu não me interesso” A seguir vem a hora infernal: “E POR QUAIS MOTIVOS, SENHORA TEREZINHA?”
Antes eu me preocupava com esse momento, porque nenhum dos meus argumentos ficava sem resposta. Era muito difícil. Enquanto a moça não esgotava seu repertório de respostas decoradas a ligação não terminava. Isto aconteceu comigo incontáveis vezes, até que eu descobri uma nova resposta que foi tiro e queda. Após a pergunta: “E POR QUAIS MOTIVOS, SENHORA TEREZINHA?”, eu passei a responder: “POR RAZÕES PARTICULARES!” E a moça treinada ficou sem reação. Sem a resposta decorada para falar, passou a despedir-se com um frio “OBRIGADA SENHORA, BOA TARDE!” Até agora deu certo. Depois desta postagem não tenho mais certeza.
Terezinha Bordignon


Recentemente, recebi um email com dicas interessantes sobre como lidar com mensagens de telemarketing.



ANTÍDOTO AO TELEMARKETING E AO MARKETING DIRETO
Andy Rooney, editor de notícias da CBS, nos brinda com essas preciosas dicas sobre como lidar com as agressões de marketing que nos bombardeiam todos os dias.

1) Um método que realmente funciona: ao receber uma chamada de telemarketing oferecendo qualquer coisa, diga apenas: "Por favor, aguarde um momento..." Diga isso, deixe o fone sobre a mesa e vá cuidar de outras tarefas (ao invés de simplesmente desligar o telefone de imediato). Isso vai fazer com que cada chamada de telemarketing que fizerem tenha uma duração muito longa, arruinando as metas do marketeiro que lhe ligou. Periodicamente verifique se o marketeiro ainda está na linha e reponha o fone no gancho somente após ter certeza de que ele desistiu e desligou. Isso dá uma lição de alto custo para esses intrusos. Se difundirmos esse método ajudaremos a eliminar ofertas indesejadas por telefone.


2) Alguma vez você já atendeu ao telefone, e parecia não haver ninguém do outro lado? Esta é uma técnica de telemarketing onde um sistema computadorizado faz a ligação e registra a hora em que a pessoa atendeu. Esta técnica é utilizada por marketeiros para determinar a melhor hora do dia em que uma pessoa real deverá ligar, evitando assim que o "precioso" tempo de ligação deles venha a ser desperdiçado, caso você não esteja em casa. Neste caso, ao receber este tipo de ligação, não desligue. Ao invés disso, pressione o botão "#" no seu telefone seis ou sete vezes seguidas, em rápida sucessão. Isso normalmente confunde o computador que discou seu número, fazendo registrar que seu número é inválido, e eliminando seu número do banco de dados. Ah, que pena, eles não têm mais seu número para ligar de novo...


3) Propaganda inserida em suas contas recebidas pelo correio: todos os meses recebemos propaganda indesejada inserida em nossas contas de telefone, luz, água, cartões de crédito, e outros. Muitas vezes essas propagandas vêm com um envelope de resposta comercial, que "não precisa selar; o selo será pago por..."


Insira nesses envelopes pré-pagos a propaganda recebida e coloque de volta no correio, COLOCANDO A PRÓPRIA COMPANHIA COMO DESTINATÁRIO. Caso queira preservar sua privacidade, remova qualquer coisa que possa identificá-lo antes de inserir no envelope. Isso funciona excepcionalmente bem para ofertas de cartões, empréstimos, e outros itens "pré-aprovados". Não jogue fora esses envelopes pré-pagos.


Devolva-os com as propagandas recebidas. Faça essas companhias pagarem duas vezes pela propaganda enviada. Aproveite para inserir anúncios da pizzaria local, de lavanderias, supermercados, ou qualquer outro item inoportuno que esteja à mão.


Algumas pessoas já estão praticando isso e devolvendo esse lixo de volta a essas companhias. Mas, veja bem, temos que dar nosso recado. Precisamos ter números expressivos de pessoas aplicando essas técnicas eficazes de protesto.
Colaboração: Eduardo Sales

7 de dezembro de 2007

O homem do chapéu de palha



Quando algo engraçado ou triste nos acontece, o fato jamais cai no esquecimento. De vez em quando nos recordamos e nesse momento, ou rimos ou choramos.

Naquela noite chegamos do Colégio no horário de sempre. Nossas duas filhas ainda não tinham chegado da faculdade e do cursinho pré-vestibular. Cada um de nós foi fazendo o que mais necessitava: Meu esposo foi direto para a cozinha, matar a sede com água bem gelada; eu para o quarto, na busca das confortáveis sandálias havaianas.

Acontece que elas sempre ficavam num cantinho, escondidas, para não poluir o visual. Para alcançá-las, eu precisava passar em frente à janela do quarto. Neste dia eu tive uma surpresa: bem no meio do meu caminho, pisei sobre um chapéu. Olhei, era um chapéu de palha masculino.

Um arrepio percorreu minha espinha e meu coração disparou. Eu já havia sentido tal sensação há alguns anos, quando, chegando da igreja à noite, encontrei minha casa revirada por ladrões. Numa fração de segundos, uma revolução de pensamentos: “Fui furtada de novo! Será que o homem ainda está dentro de casa? Onde está escondido? Está armado? Está só ou acompanhado?...” . Corri até a cozinha, ainda ofegante, apavorada, relatei o fato a meu esposo: “Alguém entrou aqui em casa porque tem um chapéu caído lá no quarto!”. Sem demonstrar medo algum, ele foi até o quarto, calmamente analisou o chapéu e afirmou: “Este chapéu é meu!”

Fiquei indignada, como o chapéu, que só era usado para trabalhar na horta, fora parar ali no quarto, se meu esposo também estava no colégio? Afinal, após algumas hipóteses, consegui me acalmar.

No dia seguinte, fui tirar satisfação com minhas filhas. Elas não sabiam de nada.

Tudo ficou claro quando a senhora que fazia os trabalhos domésticos explicou: No dia anterior, ela havia lavado o piso das calçadas. Para se proteger dos raios solares, usou o chapéu de meu esposo. Quando chegou na parte da calçada onde ficava a janela de meu quarto, havia sombra. Ela colocou o chapéu no parapeito. Talvez um vento o tivesse derrubado, e como resultado, surgiu a confusão. Claro que foram dadas muitas gargalhadas.

É incrível como nossa mente associa um fato a outro: o furto, que estava aparentemente esquecido, e o chapéu, que estava no lugar errado na hora errada, fizeram com que eu não reconhecesse um chapéu que me era familiar, e reagisse como se estivesse sendo vítima de assalto.

Aqui em casa, de vez em quando, ainda nos recordamos do homem do chapéu de palha.

6 de dezembro de 2007

Desenhos natalinos para colorir





Palavrões



AS QUATRO MAIORES PALAVRAS DA LÍNGUA PORTUGUESA

4º LUGAR - 27 LETRAS:
Inconstitucionalissimamente

3º LUGAR - 28 LETRAS:
Oftalmotorrinolaringologista

2º LUGAR - 30 LETRAS:
Anticonstitucionalissimamente

1º LUGAR - 46 LETRAS:
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico
(Descreve o estado de quem é acometido de uma doença rara provocada pela aspiração de cinzas vulcânicas.)
Revista Veja: em referência ao Dicionário Houiss da Língua Portuguesa


No site www.cifraclube.com.br encontrei um exemplo com um derivado:
Então, se não estiveres pneumoultramicroscópicossilicovulcanoconiótico, não vá ao pneumoultramicroscópicossilicovulcanoconióticologista! (53 letras)

4 de dezembro de 2007

Pensamentos



EU E VÓS!

Tinha fome
E fundastes um clube com
Fins humanitários
Para discutir a falta de alimentos.
Estou-vos muito agradecido.
Estava preso
E fostes para a Igreja
Rezar pela minha libertação.
Estou-vos muito agradecido.
Estava nu
E examinastes seriamente
As conseqüências morais da minha nudez.
Estou-vos muito agradecido.
Estava doente
E, de joelhos, fostes agradecer ao Senhor
Que vos deu saúde.
Pareceis tão devotos,
Tão amigos de Deus!
Mas eu ainda tenho fome,
Ainda estou só
Nu, doente
Preso e sem casa...
Ainda tenho frio.
Revista Boa Nova - Portugal

Se você quer ser feliz por uma hora, tire uma soneca;
Por um dia; vá pescar;
Por um mês, case-se;
Por um ano, herde uma fortuna;
Pela vida toda, ajude os outros.
Ditado chinês

3 de dezembro de 2007

A palavra S A U D A D E


A saudade sempre foi a companheira inseparável de todas as pessoas, de todos os povos, provavelmente desde os primórdios da humanidade, porque é um sentimento.

Como sentimento é impossível negar sua existência, convivemos com ele diariamente.

Como vocábulo não. Existe apenas na Língua Portuguesa e é tido como um dos mais difíceis de definir e de traduzir, em virtude de sua riqueza semântica.

Nenhuma outra língua, por mais que tenha usado de malabarismos vocabulares, foi capaz de expressar com precisão seu real significado. Isto não significa que quem não fala o Português não sinta saudade. Claro que sente. Só que eu não entendo como essas pessoas conseguem definir esse sentimento sem uma palavra específica.

De acordo com o dicionário Aurélio, saudade significa: “Lembrança nostálgica e ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia”. “Pesar pela ausência de alguém que nos é querido”.

Na gramática, é um substantivo abstrato. Na prática é concreto. Não podemos vê-la, mas podemos senti-la e até derramar uma lágrima.

Há vários tipos de saudade: de alguém que morreu, de quem amamos mas está longe, de um amigo, de lugares, de viagens, do país de origem, da infância, da juventude de animais de estimação, frutas, alimentos...

Quando a saudade chega, podemos sentir angústia, nostalgia, tristeza, solidão, isolamento, depressão.. Ela nos faz pensar em imagens do passado em lembranças que ficaram gravadas dentro de nós, nas emoções vividas e que deixaram suas marcas. A saudade é um registro fiel do passado trazido para o presente. Quando vemos a pessoa querida, falamos ao telefone, vemos sua foto, um vídeo..., ela pode ser substituída pela alegria.

Muitas vezes a saudade chega antecipadamente, antes de acontecer uma separação. É uma saudade do futuro. E é doída também.

A saudade está registrada em textos e poesias e músicas da Língua Portuguesa, mas não é um sentimento exclusivo dos seres humanos. Até os animais sentem saudade. Isto fica muito visível nos cães. Estes deixam de se alimentar e às vezes adoecem quando ficam longe de seus donos por muito tempo.

Trinta de janeiro é o dia da saudade, mas uma saudade antecipada deste ano me fez pesquisar e escreve este texto. Estamos no último mês do ano, e, se remexermos no baú de lembranças de 2007, encontraremos, as saudades ali, gravadas em nosso coração. Impossível apagá-las. Vamos organizá-las por categoria reservando um local para outras que virão. Recorda-las? Sim, sem tristezas. Vamos seguir o caminho para o futuro

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