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9 de outubro de 2006

Fábula de la fontaine

O LENHADOR E A MORTE
La Fontaine


Um velho lenhador, cansado pelos anos e do fardo que carregava, regressando ao lar caminhava tropegamente, queixando-se da sorte que nunca o favorecera.

Exausto, sob o peso que lhe magoava as costas, deitou o fardo ao chão e sentou-se-lhe ao lado, passando a analisar o longo percurso dos anos vividos.

Que felicidades tivera neste mundo? Existia por ventura alguém mais indigente do que ele? Escasso era o pão e nem sempre o tinha; descanso algum jamais desfrutara; além disso, impostos, conscrição, mulher e filhos para sustentar, os credores e mil outras atribulações além do trabalho insano. Esse era o quadro desolador de sua pobre existência; e não via diante de si a réstea luminosa da esperança.

Amargurado, abatido ante a própria impotência, num assomo de desespero chamou pela morte para que o livrasse de tão cruel angustia.

Sem demora a Morte se lhe apresenta e pergunta:

_ Aqui estou; que me queres tu?

_ Apenas um pequeno esforço: põe-me este feixe no dorso.


COMENTÁRIO:
Esta fábula exprime em síntese o sentimento mais natural ao homem: o amor pela vida. Pois embora tudo lhe seja contra e triste, ele mantém sua divisa: "Antes sofrer do que morrer!" Pois a morte é o fim de todos os males, a vida é sempre o maior de todos os bens.

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A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)