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9 de outubro de 2006

Um teatro

OS PÉS DO PAVÃO


Cenário: um jardim
Personagens: um corvo de garras longas
um pavão de cauda colorida e pés irregulares e feios

Corvo:
(humildemente observa em silêncio o Pavão no jardim)


Pavão: (Andando no jardim exibe orgulhosamente o esplendor de sua cauda, imensa e colorida...) (andar todo garboso) Meu Deus como sou lindo! Que cauda linda é a minha! Sou a mais bela ave do jardim. Ninguém vence minha beleza. O corvo então, coitadinho, pretinho ... Há, há, há... Há, há, há...

Corvo: (Falou com voz animada)
- Bela plumagem, hem amigo? Você é muito lindo

Pavão: (Arrogante e orgulhoso)
- Ousa falar comigo, corvo insignificante? Ousa dirigir a palavra a mim, você que é negro, agourento e desprezível?

Corvo: (muito irritado)
- Seu pavão racista, vou denunciá-lo à justiça, você será processado. E fique sabendo que suas penas podem ser bonitas, mas eu não gostaria de ter os pés como os seus. Olhe só para seus pés. Cruá, cruá, cruá... Cruá, cruá, cruá...

Pavão: (preocupado, olhando os próprios pés)
- Meus pés? O que tem eles?

Corvo: (mostrando os pés do pavão)
- São abertos, irregulares. Não servem para agarrar, mal lhe dão apoio para andar... Não amigo. Fique lá com suas penas, que eu prefiro minhas garras sólidas! Veja só como são fortes!

Pavão: (Saindo de mansinho)- Desculpe amigo Corvo, tenho um compromisso: estou indo a uma sapateiro. Como não me lembrei disso antes. (Sai de cabeça baixa)

Corvo: (Pensativo, balança a cabeça para os lados)
- Acabo de descobrir uma grande verdade: Não existe beleza perfeita! Agora vou caçar com minhas garras potentes! (Sai voando) Cruá, cruá, cruá... Cruá, cruá, cruá, vou à delegacia denunciar o pavão. Quem ri por último ri melhor!

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A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)