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17 de novembro de 2007

Olavo Bilac


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu a 16 de dezembro de 1865, no Rio de Janeiro. Faleceu em 28 de dezembro de 1918, na mesma cidade. Fez o Curso de Humanidades no Colégio do Padre Belmonte. Cursou a contra-gosto a Faculdade de Medicina, que abandonou no 5º ano, para matricular-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde esteve somente um ano.

Foi jornalista, poeta, crítico, orador, ocupando ainda o honroso cargo de secretário do Congresso Pan-Americano, em Buenos Aires. Durante toda sua vida foi um boêmio inveterado, não se responsabilizando de forma alguma pelos encargos fixos que conseguia. Como poeta é que se notabilizou pois, filiando-se à Escola Parnasiana que então começava a se esboçar, soube se tornar um de seus principais expoentes, dada a impecabilidade da forma de seus versos, aliada à "efusiva comoção da sensualidade tropical" (Afrânio Peixoto). Versejou por necessidade de alma e espírito, saindo suas composições literárias expontaneamente de sua pena. Todos os críticos são acordes de que Bilac é o verdadeiro poeta da raça, e dele, disse Saul de Navarro : " - A graça sensual de um satírico, cantando na selva lírica de nossa alma de gigante adolescente. Pássaro do idioma. Gorgeio da raça. Príncipe dos Poetas".

Além de poesias, escreveu cantos, crônicas e críticas para revistas e jornais. Foi, ainda, professor, tendo lecionado por algum tempo no Pedagogium, do Distrito Federal. Consagrou os últimos anos da vida à propaganda do serviço militar obrigatório, realizando uma série de conferências em várias capitais do país. Quando a morte se aproximava, exclamou agonizante :

"- Amanhece... Vou escrever!"


ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso” E eu vos direi,

no entanto,

Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol,

saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão

contigo?”

Eu vos direi: “Amai para entende-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac


HINO À BANDEIRA

Letra de Olavo Bilac
Música de Francisco Braga


I

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz !
Tua nobre presença lembrança
A grandeza da Pátria nos traz

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil !


II

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul;
A verdura sem par destas matas
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil !


III

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil !


IV

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momento de festa ou de dor,
Paira sempre a sagrada Bandeira,
Pavilhão da justiça e do amor.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil !


3 comentários:

  1. Durante anos eu tive um recorte com o céu estrelado e essa poesia de Olavo Bilac na porta do meu guarda-roupa.

    Beijinhos

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  2. É UM DOS HINOS BRASILEIROS MAIS LINDOS!
    PROFESSOR SÉRGIO

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  3. Esse integralista safado, adorável Bilac! Grande poeta, grande dia!

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A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)