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21 de setembro de 2009

Homenagem às árvores


Salve, árvore!

da natureza arte!

Nasce frágil e ousada,

surpreende,

passa por transformação,

metamorfose,

mutação!


Árvore amada,

cujos galhos vão ao chão,

depois de entalhada,

trabalhada

reune os amigos com muita dedicação.


Árvore torta

que pende ao chão,

que sustenta a flor,

que enfeita o altar

de Nosso Senhor,

Árvore que exala o perfume

que o vento carrega

e espalha nas vidas

de quem não se entrega!


Árvore que faz aliança,

moderniza-se,

amedronta-se,

festeja,

abriga,

doa-se

e inspira confiança!


Árvore, lar

para os raros

e ousados.

Descanso!

Dos migrantes esperança!

Lugar de espreita,

esconderijo

e desenho de criança !

Salve!


Uma árvore

vai além do natural,

torna-se surreal!

Tem sentimentos humanos!

Tem sim!

Passa pela juventude,

pela velhice,

e morre sem funeral!


Experiente lenho

transportado em caminhão,

cumpra sua missão!

Torne-se papelão

para abrigar o menino

que dorme à noite no chão.

Com seu calor

asse o pão!

Embaixo de sua copa

Reúne-se a mocidade

ao sabor do chimarrão!


Uma árvore pode ser parte de uma história,

testemunha de um amor,

ser o passado

que viro fumaça,

cinzas,

dor!

Pode ser retalhada,

suja

ou perfumada, no frio ou calor!


Pode ser genealógica

ou nos imitar

dançando balé,

apontando erros,

aplaudindo,

amando,

gerando vida! Olé!

Também pode adoecer,

chorar,

vingar-se,

matar, ou morrer!


Há muitos tipos de árvores:

araucária,

atômica,

túnel,

tábua,

chão,

casa,

livro,

árvore de invernada

sombra da caminhada,

plantada no penhasco,

para assar churrasco!


Árvore de colagem,

luminária,

de palavras,

cruz de cemitério,

violão,

alucinação,

Que mistério!


Árvore em pó,

enfeite de procissão,

companhia de santa,

confusão,

transgressão

de Adão separação!

Ipê de flor amarela,

terço de oração,

reflexão,

pinguela!


Árvore de coração,

Rainha da paisagem,

casa onde morei,

lápis de escrever mensagem.


Todos somos árvores,

desde criança

adquirimos sua essência,

nos tornamos pedra,

brasa viva

ou carvão, incrível, não?!


Árvore em inversão,

tal qual a vida:

desmatada,

fiscalizada,

violentada,

retalhada,

vira mesa,

banco de decoração,

bicicleta,

enfeite rústico,

porta de barco pirata,

sabonete de mulata,

prisão!


Oh, árvore! Gigante

ou anã,

vista de baixo

ou de cima,

banco de praça,

mesa de salão

ou seca, em podridão!


Oh, árvore sagrada!

Banco de igreja,

imortalização de herói

ou santo de procissão,

rogue pelos pecadores

inimigos da nação

que perderam o juízo

e fazem devastação!


Oh, árvores todas, de primavera,

Outono,

Inverno

Ou verão,

invejadas pelo luar do sertão!

Um grande beijo

Do fundo coração!

Um dia,

uma delas

será nosso caixão!


Terezinha Bordignon

Um comentário:

A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)