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29 de outubro de 2010

Pequena fábula de Diamantina



Tendo herdado a casa do avô na cidade distante, para lá mudou-se com toda família, contente de retomar o contato com suas origens. Em poucos dias, já trocava dedos de prosa com o farmacêutico, o tabelião, o juiz. E por eles ficou sabendo, entre uma conversa e outra, que as casas daquela região eram construídas com areia de aluvião, onde não raro se encontravam pequenos diamantes.
A notícia incrustou-se em sua mente. Olhava os garimpeiros que à beira de rios e córregos ondulavam suas bateias, olhava os meninos que cavucavam os montes de areia já explorada onde, ainda assim, talvez fosse possível descobrir o brilho amarelado de pedra bruta. Ouvia as estórias de fantásticos achados.
Por fim, uma tarde, alegando cansaço após o almoço farto, trancou-se no quarto e, afastando o armário, começou com a ajuda de uma faca a raspar a parede por trás deste. Raspava, examinava a cavidade, os resíduos que tinha na mão e que cuidadoso despejava num saco de papel. E recomeçava. Assim, durante mais de hora. Assim, a partir daí, todas as tardes.
Já estava quase transparente a parede atrás do armário, e ele se preparava para agir atrás da cômoda quando, tendo esquecido de trancar a porta, foi surpreendido pela mulher. Outro remédio não teve senão explicar-lhe o porquê de sua estranha atividade. Ao que ela, armada por sua vez de faca e reclamando posse territorial, partiu para a parede da despensa. Onde, dali a pouco, foi descoberta pela empregada. A qual reivindicou direito às paredes da cozinha. Tão evidentes, que rapidamente as crianças perceberam, atacando cada uma lado do corredor.
De dia e de noite, raspam e raspam os familiares, álacres como ratos, abrindo vãos, esburacando entre as estruturas, roendo com suas facas na procura cada vez mais excitada. Abre-se aos poucos a casa descarnada, recortadas em renda suas paredes. Geme o telhado, cedem as estruturas. Até que tudo vem abaixo numa grande nuvem de pó.
Agora com as unhas, raspam os familiares o monte de entulho. Quem sabe, sob os escombros espera, escondido, o diamante.
(Marina Colasanti)

http://maps.google.com.br/

VOCABULÁRIO
álacre – alegre, jovial
areia de aluvião – areia depositada pelas águas dos rios ou chuvas
incrustar-se – imbutir, inserir
bateia – vasilha de madeira usada para lavrar cascalho onde existe diamante
alegar – dizer alguma coisa como desculpa
reivindicar – exigir, reclamar
estrutura – parte que sustenta o peso de uma construção
escombro – entulho, destroços de demolição, ruína


1- NUMERE AS FRASES CLASSIFICANDO-AS QUANTO À IDÉIA:
(1) ideia de causa
(2) ideia de consequência
(_) Tendo herdado a casa do avô numa cidade distante.
(_) Para lá mudou-se com toda a família.


2- NUMERE AS COLUNAS DE ACORDO COM O LUGAR EM QUE AS PERSONAGENS RASPAVAM
(1) o marido
(2) a esposa
(3) a empregada
(4) as crianças
(_) Reivindicou as paredes da cozinha.
(_) Trancou-se no quarto para raspar as paredes.
(_) Reivindicou as paredes da despensa.
(_) Alegou cansaço e foi raspar as paredes escondido.
(_) Quis uma das paredes do corredor.


3- COMPLETE COM (V) PARA VERDADEIRO OU COM (F) PARA FALSO:
(_) As histórias que ajudaram a reforçar a ambição do homem eram reais.
(_) Naquela região, realmente aconteceram fantásticos achados.
(_) A empregada surpreendeu o homem raspando as paredes do quarto.
(_) O meninos cavucavam os montes de areia em busca de diamantes.
(_) O homem mudou-se para Diamantina pensando em enriquecer facilmente.
(_) Os moradores da casa não usaram ferramentas apropriadas na caça aos diamantes.
(_) Os meninos trabalhavam em igualdade de condições aos garimpeiros.
(_) O marido explicou espontaneamente à esposa o porquê de sua atividade.


4- INDIQUE O CERTO COM UM X
O texto lido é uma narrativa na qual o narrador:
(_) É apenas um observador dos fatos que nos contam o que aconteceu.
(_) O narrador participa dos acontecimentos como uma personagem.


5- O narrador comparou as personagens a ratos, essa comparação transmite à frase um significado:
(_) positivo
(_) negativo


6- O estado de espírito do homem quando se mudou para a cidadezinha era:
(_) contente
(_) infeliz
(_) indiferente
(_) irritado
(_) ganancioso


7- A notícia incrustou-se em sua mente. A notícia era
(_) Que a casa do avô tinha diamantes nas paredes.
(_) Que herdara a casa de seu avô.
(_) Que as casa da região tinham paredes construídas com areias de aluvião.
(_) Que muitas pessoas encontraram diamantes nas paredes de suas casa.


8- Ele observou dois fatos que reforçaram o conteúdo da notícia. Quais?
(_) Pessoas que raspavam as paredes de suas casas e o hábito de descansar após o almoço.
(_) As unhas das pessoas estava sempre gastas e havia muitos sacos de papel espalhados pelas ruas.
(_) O farmacêutico, e o juiz trocavam dedos de prosa sobre o assunto e as histórias de achados fantásticos.
(_) O trabalho dos garimpeiros e a atividade dos meninos.


9- O sentimento que tomou conta das pessoas foi de
(_) covardia
(_) medo
(_) preguiça
(_) ambição
(_) ódio


10- CLASSIFIQUE O PREDICADO EM:
(1) verbal
(2) nominal
(3) verbo-nominal
(_) Considero você inteligente.
(_) O homem herdou a casa do avô.
(_) As casas eram construídas com areia de aluvião.
(_) A mulher raspou contente as paredes.
(_) As paredes já estavam quase totalmente transparentes.


11- CLASSIFIQUE O PREDICATIVO SENDO:
(1) predicativo do sujeito
(2) predicativo do objeto
(_) Ficamos preocupados com as paredes da casa.
(_) As paredes da casa nos deixaram preocupados.
(_) A fidelidade é necessária ao namoro.
(_) Os jovens consideram a fidelidade necessária.


12- ESCREVA A PALAVRA QUE É O PREDICATIVO DO SUJEITO OU O PREDICATIVO DO OBJETO
O homem ficou alegre quando viu seu emprego seguro.
Predicativo do sujeito: …...................................................
Predicativo do objeto: …...................................................
A mãe, orgulhosa, achou o filho lindo com aquele terno.
Predicativo do sujeito: …..................................................
Predicativo do objeto: …...................................................
Dizei-me se há alguém mais confusa do que eu.
Predicativo do sujeito: …..................................................
Predicativo do objeto: …...................................................


13- A QUE CLASSE GRAMATICAL PERTENCE A PALAVRA “CONFUSA” NA FRASE:
Dizei-me se há alguém mais confusa do que eu?”
…....................................................................................
Qual é o objeto direto de há? ….......................................
Qual o predicativo do sujeito? ….....................................


14- COMPLETE AS ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS COM PRONOMES RELATIVOS:
Olhava para os garimpeiros ......... ondulavam suas bateias.
Aquela é a casa ......... paredes foram raspadas.
A casa ......... moravam ficava em Diamantina.
Foi uma casa herdada do avô ......... moraram até destruí-la.


15- LEIA A FRASE ABAIXO E RESPONDA:
Foi a casa que pedi para Papai Noel
Quantos verbos há? .........
Quantas orações? .........
Que palavra é o pronome relativo? .........
Que palavra é o termo antecedente do pronome relativo? .........


16- COMPLETE COM ONDE OU AONDE?
Eu gostaria de saber ......... vamos raspar hoje?
Sempre me perguntam ......... vim?
Ela foi logo cedo .........



17- DESENHE A CASA DOS SEUS SONHOS.

3 comentários:

  1. Gostaria de obter o gabarito deste texto(Pequena fábula de Diamantina).Agradeço desde já.

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  2. adorei isso me ajudou muito muitisimo
    muito obrigado net

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  3. gostaria de ter o gabarito para poder comferir as respostas pq sem as respostas como vou saber se eu realmente fiz o exercicio corretamente.
    mas ficou muito boa as perguntas.
    sem mais
    atenciosamente
    eu

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A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)