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6 de abril de 2015

Balé de Repetório




Balé O lago dos cisnes

            A palavra repertório originou-se do latim “repertorium”. Segundo o Dicionário Aurélio, significa “um conjunto das obras interpretadas por uma companhia teatral, por um ator, por uma orquestra, por um solista. Esta envolvido com uma história, como se fosse uma peça teatral, só que não tem falas e a encenação é toda feita através de gestos, danças e música, isto é, um conjunto de coreografias contando uma história usando a dança, a música e a mímica.
            Assim como a literatura, o cinema, a música  e o teatro, a dança também tem um caráter narrativo. Os principais elementos narrativos encontrados são:  personagens, espaço, tempo e enredo, porém não há um narrador. A história é contada a partir da performance de cada bailarino ao longo do espetáculo. Os bailarinos principais dançam solos, e juntamente com o corpo de baile, dançam a coreografia em grupo, em um conjunto de passos que deve ser seguido minuciosamente, de maneira a interpretar a história.
            Os balés de repertório foram montados e encenados durante o século XIX, e até hoje são obras montadas e remontadas com as mesmas músicas e suas coreografias de origem, baseados no estilo da escola que vai apresentá-los. Seguem tradicionalmente sua criação. No palco se apresentam os grandes bailarinos. São considerados como patrimônio da Humanidade
            Quem faz ou já fez parte do mundo do balé sabe a emoção que é dançar. Esta é a lista de alguns dos mais  famosos balés: O Quebra Nozes, O Lago dos Cisnes, Giselle, Copéllia, Pássaro de Fogo, Esmeralda, Dom Quixote, La Fille Mal GardéeA Bela AdormecidaLa SylphideLa BayadèreSylvia, Paquita, Chamas de Paris, Talismã, O corsário, a filha do Faraó, Fairy Dol, Petrouchka
            Os principais elementos presentes em um balé de repertório são: figurino, cenário, música, corpo de baile e solistas. Alguns dos balés de repertório que foram e ainda são destaque pela técnica, pela perfeição, originalidade, verdadeiras obras primas, que garantem absoluto sucesso, e desde a estréia os teatros ficam lotados. São adaptações de obras literárias, musicais com integração perfeita entre a música e os movimentos da dança. Balés que impressionam os críticos, que tiveram ensaios muito demorados e em conseqüência, não só prendem a atenção do público, mas o deixam extasiado. São danças clássicas e folclóricas que narram acontecimentos que marcaram a sociedade: desigualdades sociais, lendas, romances, disputas, tragédias, triângulos amorosos, cujas personagens são princesas com roupas esvoaçantes, camponesas belíssimas. Nestas danças, o cenário pode ser um castelo luxuoso ou um local cheio de feno.
            A Bela Adormecida, foi uma grande obra que marcou o apogeu da Rússia dos Czares, além de ser o grande sucesso de Tchaikovsky em vida. Obra, em castelos reais, com personagens grandiosos e fantásticos, marca a força da Rússia na época. A produção da obra foi feita em conjunto pelo coreógrafo, figurinista e o compositor, por isso o resultado é uma integração tão perfeita entre os três elementos. São características especiais da obra as variações muito ricas em técnica.


 Balé Dom Quixote

            D. Quixote, a novela de Miguel de Cervantes, inspirou vários balés, ao longo dos tempos. As primeiras versões encenadas não obtiveram sucesso suficiente para se manterem até hoje, mas a versão estreada em 1869, teve um sucesso arrebatador. Essa obra marca a ascensão da Rússia o centro mundial da dança, pois naquela época a Europa Ocidental vivia o mercantilismo, deixando o campo das artes um pouco abandonado. Em conseqüência, os artistas migraram para a Rússia, onde a dança, especialmente, era muito estimulada.
            A Filha do Faraó fez grande sucesso na Rússia pelo menos até cinqüenta anos depois de sua estréia em 1862. Foi retirado dos repertórios por determinação do governo soviético, que, aparentemente, não gostava do poder autocrático dos faraós. A encenação conta com algumas participações pitorescas, como a de um macaco e de uma cobra gigante. Em 2003, A Filha do Faraó foi finalmente levado aos palcos do Ballet Bolshoi 141 anos após sua estréia. A suntuosidade é a principal marca dessa nova produção. Há variadas trocas de cenários, muitíssimos figurantes e um guarda-roupa invejável.
            Nascido no berço da Revolução Francesa, La Fille Mal Gardée, mostra claramente em seu enredo os ideais burgueses que foram estabelecidos desde então. O amor vence no final, permitindo que duas classes se unam, como na revolução. A obra estreou 13 dias antes da tomada da Bastilha, e assim como os ideais de "liberdade, igualdade e fraternidade", prosperou até hoje. Além de ser revolucionário no ponto de vista histórico, La  Fille Mal Gardée inovou, lançando um enredo com personagens reais e não ninfas, fadas e deuses. É o mais antigo dos balés de repertório conhecidos até hoje.

Balé Giselle

            Giselle foi um balé extremamente marcante, por ser um dos mais puros exemplos do Romantismo do século XIX na dança. As características do romantismo mais presentes na obra são a trama, desenvolvida em torno de uma personagem feminina e a aparição de seres sobrenaturais que vêm substituir os Deuses do Olimpo que eram mais utilizados anteriormente. São marcas do Lago dos Cisnes a trama totalmente irreal, construída na época do Romantismo/Realismo.
            O Quebra-Nozes foi um Balé que veio marcar a afirmação da Rússia como o grande centro mundial da dança, ao invés da França. Seu coreógrafo, Lev Ivanov, era russo. Foi a segunda composição de Tchaikóvsky para ballet, e considerada um dos mais perfeitos casamentos entre coreografia e música, pois nenhum dos dois se sobressai em relação ao outro.
            Romeu e Julieta não é um balé, mas sim vários, pois o romance de Shakespeare inspirou mais de cinqüenta produções. As primeiras foram encenadas desde 1785, mas a versão mais conhecida atualmente foi produzida em 1940, quase dois séculos depois. Também muitas músicas foram compostas para representar essa tragédia, e entre elas, versões de compositores famosos como Tchaikovsky e Berlioz.
            La Sylphide foi uma obra que inovou a dança na Europa Ocidental. Na época do florescimento do romantismo, a sociedade européia esperava por uma obra que demonstrasse todo o clima desse tempo, e que inovasse esteticamente, A roupa desenhada para a Sylphide é: branca, longa e transparente, dava um aspecto irreal à personagem. Foi também uma das maiores revoluções teatrais de nossa era, pois era uma roupa simbólica e que nem sequer parecia com as usadas no dia a dia. A maior novidade foi a construção do ballet inteiro usando sapatilhas de ponta. Essa inovação gerou inúmeras mudanças na dança clássica, inclusive a recolocação do homem nas coreografias.


Referências:






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