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28 de agosto de 2007

Bom dia


Quando passamos por em um lugarejo ou vemos alguma fotografia de um local que parece que está fora do mapa, ficamos indignados: Como pode existir pessoas que conseguem morar tão isoladas? Notamos alguns casebres, poucas pessoas, simplicidade. Outras vezes, nós, das cidades menores, fazemos uma viagem e passamos por alguma metrópole. O sentimento que nos invade é de susto: Quanto barulho! Que trânsito intenso! Quantas pessoas apressadas! Quantas casas tão próximas umas da outras! Que cheiro ruim! Que fumaça! O ambiente é desconhecido, ficamos perdidos, sem saber para que lado olhar.

Os seres humanos e os animais adaptam-se ao lugar onde moram. Quanto mais velha uma pessoa, maior sua dificuldade de adaptação, porque já criou raízes. Acho que já o meu caso. Para os jovens isto é muito mais fácil. Moro há mais de quarenta anos numa cidade do interior do Paraná, chama-se Alto Piquiri. Gosto daqui. Você pode se perguntar: Qual a vantagem em morar numa cidadezinha como Alto Piquiri? E eu repondo: Muitas. Aqui é um lugar oposto aos grandes centros. Não temos barulho de transito, buzinas, burburinhos, fumaça de fábricas, cheiro ruim, pessoas apressadas, fazendo seu almoço na rua. .. Em Alto Piquiri, se compararmos com uma cidade de maior porte, tudo fica muito próximo: a padaria, o supermercado, a igreja, a farmácia, o correio, as casas dos parentes e amigos. E isto é excelente. Não se perde tempo com espera em pontos de ônibus, no transito lento ou no engarrafamento.
Já encontrei pessoas que pensavam que os moradores daqui viviam isolados e alheios ao que se passa no mundo. Engano: Apesar de grande parte de sua população ser muito pobre, as antenas parabólicas estão em praticamente todas as residências. Revistas e jornais chegam com atraso, mas chegam. As pessoas daqui assistem aos mesmos noticiários e novelas das capitais. Elas também usam cartão de crédito, telefone, Internet, estudam faculdade... Qual a diferença entre esta cidadezinha e uma cidade maior?

Penso que a maior diferença está nos seus habitantes. Como todos estão perto de todos, as pessoas se conhecem. As amizades são antigas. Quando se cruzam nas calçadas, sorriem umas para as outras e cumprimentam-se com um caloroso bom-dia ou boa-tarde. Este hábito de se cumprimentarem nas ruas acaba gerando novas amizades. Uma pessoa sabe onde a outra mora, sabe o nome, o sobrenome, o telefone, conhece a família. Estranho é passar uma pessoa e não dizer uma saudação, a conclusão é: Veio de outra cidade e ainda não se adaptou aos costumes locais.
À noite, os jovens têm seu ponto de encontro: A poucas lanchonetes e o calçadão .É claro que aqui não existem teatros, cinemas, shopping centers, mas quem se importa com isso quando existe muito calor humano?
Desta cidade já saíram muitos médico, engenheiros, professores, agrônomos, veterinários e tantas outras profissões honrosas, sem falar na pessoa que se tornou um construtor, fazendeiro, microempresário..., nem que para tal feito, tenha exigido uma separação da família para trabalhar num outro país. Depois acontece o regresso. Quem bebe de nossa água sempre volta.
Em Alto Piquiri é necessário tomar cuidado com duas coisas para que tudo fique em paz: A primeira delas é nunca criticar a política local, existem os que são “mocotó” e os que são “tiririca”. Você pode estar criticando o partido da pessoa com quem você fala e aí pode gerar uma inimizade. A segunda coisa que você também não pode fazer é falar mal de uma pessoa para outra. A pessoa que está ao seu lado, provavelmente é parente de quem você fala mal. Mesmo assim umas conversinhas aqui, outra lá acabam gerando alguma fofoca, mas nada que não possa contornar. Isto é até saudável.
Diariamente recebemos visitantes dos arredores: são as maritacas, os joão-de-barro, os tucanos, as tesourinhas e os bem-te-vis, todos os dias nos homenageiam quando cantam: “piquiri, piquiri, piquiri”.
Por estas e por muitas outras razões é que vale a pena viver nesta aconchegante cidadezinha. Bom-dia!

DECÁLOGO DO BOM-DIA

I- Os povos latinos saúdam: “Bom-dia!”
II- Os ingleses: “Como passa o senhor?”
III- Os norte-americanos: “Como vai o senhos?”
IV- Os turcos: “Deus o abençoe!”
V- Os árabes: “Desejo-lhe uma bela manhã!”
VI- Os chineses: “Já comeu o seu arroz”
VII- Os gregos: “Como vão seus negócios?”
VIII- Os egípcios: “Como respira o senhor?”
IX- Os holandeses: “Como vai de viagem?”
X- Os russos: “Felicidades é o que lhe desejo

2 comentários:

  1. NOSSA ADOREI SEU COMENTARIO.
    FICO SOMENTE TRISTE QUANDO PROCURO AS IMAGENS (FOTOS) DA NOSSA CIDADE NA INTERNET E NAO ENCONTRO.OS EVENTOS DE ALTO PIQUIRI DEVERIA SER MAIS DIVULGADOS E PARA ISSO AS ESCOLAS,OS COLEGIOS PRECISAM SE MOBILIZAR EM PRÓ DA CIDADE,POIS PELO QUE VEJO DESSA ADMINISTRACÃO ...APESAR DE NAO CONHECER O PREFEITO.
    MORO UM POUCO DISTANTE(BAHIA)DAÍ, NUMA CIDADE TAMBÉM PEQUENA,MAS NOSSOS EVENTOS SAO DIVULGADOS E ISSO TRAS ALEGRIA PARA NÓS.(www.governodecacule.com.br)
    SOU FILHA DE ALTO PIQUIRI E QUERO VER ESSA TERRA CRESCER EM TODOS OS SENTIDOS.


    BEIJINHOS NO CORACAO

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  2. Professora Terezinha, navegando pela net para encontrar o endereço eletrônico da poeta Roza de Oliveira descobri seu blog. Achei muito interessante. Sou apaixonado pela lingua portuguesa desde meninamente. Gostei das suas crônicas. Quando quiser visite o meu blog, e deixe seus comentários. abs

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A humanidade é um oceano. Se algumas gotas estão sujas, isso não significa que ele todo ficará sujo. (Mahatma Gandhi)