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15 de setembro de 2015

Cidadão Kane




Título original: Citizen Kane.
Ano: 1941.                                   
Direção: Orson Welles.                       
Elenco: Orson Welles, Agnes Moorehead, Joseph Cotten, Paul Stewart, George Coulouris.
Gênero: Drama.
Nacionalidade: EUA. 

Sinopse:
O filme é supostamente baseado na vida do magnata das comunicações William Randolph Hearst, Na trama conhecemos a história de Charles Foster Kane a partir de sua morte. Um jornalista recebe a tarefa de investigar qual era afinal o significado de sua última palavra, "Rosebud". 


Prêmios:
Venceu o Oscar de 1942 na categoria de melhor roteiro original. Foi indicado nas categorias de melhor ator protagonista (Orson Welles), melhor direção de arte preto-e-branco, melhor fotografia preto-e-branco, melhor diretor, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhor filme e melhor som. Venceu o Prêmio NYFCC 1941 (New York Film Critics Circle Awards, EUA) na categoria de melhor filme.

Curiosidades:

O filme ainda é considerado, por boa parte da crítica, como o maior filme da história até o momento, figurando em primeiro lugar na lista do American Film Institute (AFI). Cidadão Kane foi o primeiro filme longa metragem dirigido por Orson Welles, o filme encontrou forte oposição por parte de William Randolph Hearst, pois ele julgava que a obra denegria sua imagem. Em realidade, havia mesmo muitos pontos coincidentes das biografias de Hearst e de Kane, embora publicamente Orson Welles sempre negasse essa relação. Cidadão Kane marcou sua época devido às inovações, sobretudo nas técnicas narrativas e nos enquadramentos cinematográficos. O filme começa com o protagonista já morto, mudando-se a cronologia dos fatos.


Fonte:http://vejasp.abril.com.br/blogs/miguel-barbieri/2015/06/19/cinemark-classicos-temporada-julho/

http://cinemalivre.net/filme_cidadao_kane.php

  Comentário:

O filme Cidadão Kane, no desenvolver das cenas, retrata a importância das virtudes. O protagonista Charles Foster Kane, quando adulto, herdou grande fortuna e passa a construir um império, que por falta da virtude do dever nasce condenado a se desfazer.

Kane é um homem que se dedica a conhecer o que faz. Em tudo o que escolhe fazer o faz através de uma ligação sensível. Gostava do que fazia. Tinha compromisso com suas escolhas, desde que servissem à sua pessoa. Gostava de suntuosidade. Estava sempre comprando e cumulando bens, obras de arte, dominava a arte de comprar e de escolher. Identificava-se com o que fazia, aquilo era natural para ele.  Tudo o que comprava era guardado, sentia grande estímulo nisso. Nada era imposto, fazia porque desejava fazer, e suas atitudes estavam de acordo com sua consciência e não sentia que estava violando a ética. No caso de Kane, a utilidade das coisas eram apenas para si. Anualmente, havia um prejuízo de um milhão de dólares, quantia que era gasta provavelmente com os objetos que acumulava. Quando fazia algo, dedicava-se extremamente. Foi o que fez com que investisse no canto lírico da esposa, a ponto de construir um teatro, pagar um professor para que ela cantasse com perfeição.

Apesar de dominar a arte dos negócios, era  fraudador, desonesto, aproveitador, vingativo. Tudo o que fazia influenciava a vida das pessoas e com isso atingia o nível moral e seu relacionamento com essas pessoas. As atitudes de Kane eram praticadas pensando exclusivamente em si. O resultado foi o afastamento dos amigos e da segunda esposa. Amargurado, deixou de ter domínio sobre seu império e sua pessoa, deixou de inspirar confiança e admiração. O triste final de Kane foi consequência de não ter praticado a virtude dos deveres. Kane não fez o propósito de alcançar o bem social. Tudo o que restou da fortuna de Kanes foram cinzas. 

O ser humano precisa fazer escolhas durante a durante a vida. Procura sempre escolher o melhor, algo que lhe dê estímulo e prazer. Essas escolhas passam por sua consciência. É preciso firmar um compromisso com essa escolha e com o trabalho: fazê-lo sempre de forma prazerosa, buscar conhecimento, e domínio, atualização constante e com perfeição, fazer de forma parcial ou desconhecer uma parte fere os preceitos da moral. A ineficácia leva à culpa. Nada justifica um trabalho ineficaz. O dever envolve a posse do saber. Essa eleição deve ser natural para que a tarefa seja feita de forma prazerosa, para que haja há harmonia sem causar prejuízo para alguém, sem cometer infração contra a ética. Nem sempre pode escolher de acordo com sua vocação, mas por critério de seleção, por identificar-se com o trabalho. Não se pode excluir do trabalho o seu caráter utilitário. O dever precisa ser algo que trás benefício e bem estar, uma vontade espontânea e não uma imposição ou obrigação. Essa é uma regra que vale para a vida toda. O dever da qualidade da execução depende de escolhas práticas, úteis, causadoras de benefícios. A origem do dever está em escolher e firmar um compromisso e cumprir esse compromisso com prazer, por iniciativa própria.

A profissão Eleva o nível moral do indivíduo mas também exige dele uma prática correta, baseada na virtude . Saber não é suficiente, ter competências  científicas, tecnológicas e artísticas também não é suficiente. Para que o dever profissional seja autêntico, é necessário. É preciso que a virtude e a excelência sejam aplicadas no relacionamento com as pessoas. Não só uma virtude, mas todas elas. Isso é chamado de lealdade ao cliente. Deve receber toda atenção. Há relatividade quando se aprecia a virtude, elas são variáveis. No exercício da profissão o social é mais importante que o individual. Os profissionais líderes e notórios são os que estimularam suas virtudes, cumprem seus deveres. São verdadeiros, respeitam seus semelhantes, procuram ter uma conduta justa, equilibrada, passar confiança, pensar no social.  

Todo profissional deveria ter por princípio dominar o conhecimento da profissão que desempenha, de forma utilitária e eficaz. Um trabalho ineficaz, negligente, sem qualidade de execução, não tem excelência. É imprescindível para o profissional buscar atualização constantemente, buscar novas práticas e desempenhá-las de forma responsável. A conduta de um profissional nem sempre corresponde ao ideal que a sociedade espera. Atitudes prejudiciais são corriqueiras em todos os setores da sociedade moderna: abusos, pressões psicológicas, arbitrariedade, traições, corrupção. Tudo isso está resumido numa única palavra: desonestidade. É imprescindível que esse tipo de problema seja solucionado. Uma forma eficaz de eliminá-lo é trabalhar a educação moral, que ensina como cuidar da própria reputação e como agir com as demais pessoas. Vai trabalhar valores que se incorporam ao indivíduo e melhoram seu caráter. 

Um bom profissional norteia suas atitudes em diversas virtudes que auxiliam sua conduta moral. São virtudes indispensáveis para o desenvolvimento da ética. Dentre essas virtudes, a de maior alcance social é o zelo. O zelo ou cuidado, leva o profissional a executar uma tarefa com maior a perfeição possível, com o objetivo de favorecer sua própria imagem. Ele se fundamenta na relação entre o sujeito e o objeto de trabalho. Os maus serviços são indicadores de traições à confiança depositada. Quando não se tem convicção de um bom trabalho, é mais digno recusá-lo. O respeito pela tarefa e por quem dela necessita é prioridade.

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